Quando pensamos em arte italiana, logo vêm a cabeça os grandes mestres renascentistas e as estátuas de Roma. Mas nem só de Michelangelo e pizza se faz a Itália! Na Casa Fiat de Cultura estreou agora em julho a exposição Uma Certa Itália, que mostra a produção artística atual das terras de lá. O correspondente Bolt do mundo das artes, Guilherme Reis, foi conferir a mostra e trouxe um relato da sua imersão em cores, texturas e obras interativas.

“Um tapete vermelho guia o caminho até a recepção, onde um homem, muito educadamente me recebe com uma saudação ensaiada, sorrisos e cordialidade. “É no terceiro andar”, diz ele, enquanto me aponta o caminho para os elevadores. Sigo pelo caminho orientado e, com passos lentos, aproveito a ilusão de celebridade que aquele tapete me proporciona para ver de perto o mural de Candido Portinari enfeitando o hall do museu. Uma vez dentro daquela caixa de metal suspensa por cabos de aço, ascendo até o piso onde as obras me aguardam.

Ainda dentro do elevador, tento me lembrar de todas as informações que previamente coletei a respeito da exposição: se chama Uma Certa Itália e se trata de uma mostra de obras de vários artistas (quinze, para ser exato), todos contemporâneos, influenciados pelas novas tecnologias e compatriotas de grandes nomes como DaVinci, Rafael e Michelangelo. Tentei, em vão, criar conexões sobre a arte renascentista e internet mas só consegui pensar em montagens e memes que circulam por aí.

Logo na entrada, um braço mecânico com uma câmera me recebe e, com uma autonomia assustadora, se move de forma quase instintiva enquanto registra as imagens do ambiente a sua volta. Em um mural informativo ao lado, leio sobre essa obra chamada Braço Tatuado, que se trata de uma forma acolhedora dos patrocinadores da exposição recepcionarem os visitantes em um interessante contraste entre tecnologia de ponta e arte contemporânea. O Braço Tatuado desempenhou muito bem sua função, pois, durante dez minutos ou mais, fiquei hipnotizado por aquele robô que me observava de volta.

Então uma recepcionista (desta vez, humana) aparece e me orienta sobre as instalações da exposição: quinze artistas italianos, três obras de cada um, em um conjunto de quarenta e cinco diferentes expressões de realidades, que subjetivadas, adequam-se no contexto pessoal de cada um, ao passo que habitam e compartilham o mesmo mundo e espaço.

Mesmo jovens, os artistas provam-se muito amadurecidos e não demora muito para que a arte renascentista que coloria minha mente logo seja substituída por uma incrível variedade de colagens, pinturas, desenhos e experimentações artísticas. Nascidos na era da televisão, celular e internet, os artistas reproduzem seu repertório imagético em representações que não se prendem ou se limitam a períodos e métodos, ainda que todos apresentem formação acadêmica em artes visuais.

Quadro a quadro, artista por artista, me movo lentamente pela exposição. Em uma tentativa de imersão, busco decifrar significados por trás daquelas imagens sombrias, formas abstratas, cores brilhantes e tons ressonantes que, em um primeiro momento, não dizem nada além de seus próprios conteúdos imagéticos e estáticos, mas que depois de uma análise um pouco mais cuidadosa, se transformam em representações repletas de movimento, significados e conotações.

Desde o início da exposição era possível ouvir conversas em italiano, acompanhadas de melodias regionais (também italianas) que, depois de um tempo, funcionaram como trilha sonora para a admiração das obras. Assim que terminei de observar todos os quadros, procuro a origem das vozes e descubro uma sala escura onde, em vídeo, os artistas contavam com suas próprias palavras todas suas motivações, paixões e objetivos.

Como qualquer boa exposição de arte, essa me trouxe mais perguntas do que respostas e, não antes de partir, reflito sobre elas enquanto saboreio um delicioso café expresso marroquino…”

A exposição Uma Certa Itália fica na Casa Fiat de Cultura até o dia 7 de setembro e a entrada é franca. Não perca!

Quando a Bolt começou em 1999, o digital no Brasil engatinhava. E a Bolt viu o digital passar de coadjuvante a determinante no comportamento das pessoas e na maneira como elas se relacionam, entre si e com as marcas. Viver tudo isso muito de perto é ter conhecimento para explorar todas as possibilidades – e isso abriu a nossa visão de mercado e o nosso leque de serviços.

Bolt Indica: Uma certa Itália

Bolt Brasil

Quando a Bolt começou em 1999, o digital no Brasil engatinhava. E a Bolt viu o digital passar de coadjuvante a determinante no comportamento das pessoas e na maneira como elas se relacionam, entre si e com as marcas. Viver tudo isso muito de perto é ter conhecimento para explorar todas as possibilidades – e isso abriu a nossa visão de mercado e o nosso leque de serviços.

Categoria: Cultura e Diversão
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