Cagaram na campanha do Personal Vip Black

Então nos deparamos com a polêmica da vez: o papel higiênico preto da Personal (o “Personal VIP Black”) e sua campanha “Black is beautiful”. Impossível não pensar como isso chegou aonde chegou – quer dizer, à mídia, grande, massiva, impiedosa e social, com direito a Marina Ruy Barbosa.

Quantas instâncias de aprovação são necessárias para uma campanha ganhar a rua, on e off? Será que ninguém viu que isso não ia dar certo?

Não vale nem muito a pena entrar no mérito do produto em si. Vamos combinar que um papel higiênico preto é algo meio discutível (basta usar o banheiro para entender o porquê), mas que seja dado o crédito disso à tendência lúdica e festiva de usar papel colorido em circunstâncias e ocasiões especiais. Ok.

Mas, e a campanha?

Alguém criou, alguém produziu, alguém aprovou, mas aparentemente ninguém viu que usar algo tão carregado de significado como Black is Beautiful na campanha do papel era, no mínimo arriscado.

Há quem fale em racismo, e é fato, a coisa toda cheira mal, ainda que não tenha sido intencionalmente. É no mínimo deselegante, pra não falar completamente equivocado, uma campanha se apropriar de um grito de ordem de afirmação do movimento negro para vender papel de limpar a bunda. A conexão é imediata e nem um pouco elogiosa, e totalmente imprópria no contexto atual.

Nada a ver com politicamente correto ou algo assim, é apenas desrespeitoso mesmo. Como já disseram por aí, no mundo todo Black is Beautiful remete a eventos e pessoas de grande significado social e cultural; no Brasil, é slogan de papel sanitário. :( Fizemos o teste pesquisando o termo no Google – veja os resultados.

Black Beauty / Via blackbeauty101.weebly.com
Reprodução / Maine International Film Festival / Via miff.org

Será que foi distração ou uma ousadia sem noção e bem desastrada? A essas alturas imaginamos que a coisa fedeu e os criativos estão *provavelmente* reavaliando a escolha do mote da campanha.

Daqui, achamos que pensar apenas um pouco mais a respeito da campanha teria sido muito útil. Parece uma daquelas “sacadinhas” que empolga de imediato e que se aplica no calor dessa empolgação. Mas dessa vez, não foi um trocadilho infame, inconsequente. Foi uma m***a daquelas.

Da nossa parte, em uma conversa rápida aqui começamos a pensar em quais seriam as maneiras de se lançar um produto como este. Depois de testar umas 3 ou 4 hipóteses,  encontramos uma que não agride ninguém, é bem humorada, atual, enfim, que não iria causar esse tipo de problema. Ou seja, é possível. Dá pra ser criativo, inusitado, e mesmo trabalhar com produtos “difíceis” sem que a coisa comece a feder.

Comunicação é coisa séria. E hoje, mais do que nunca, uma escorregada dessas não desaparece sem deixar marcas. E não dá pra dar descarga no tipo de arranhão de imagem que isso causa.

E você, consegue pensar uma outra maneira de realizar esta campanha que não crie um problema como este? Se sim, conte pra gente nos comentários.

Sócio fundador da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Cagaram na campanha do Personal Vip Black

Alexandre Estanislau

Sócio fundador da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC - Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais - Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Categoria: Mercado
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