O que deu pra apurar sobre essa briga e quem saiu ganhando no fim das contas

Se você acessou a internet semana passada certamente soube da troca de mensagens públicas entre Burger King e McDonald’s. A rede foi sacudida por expectativa e muitos acompanharam o desenrolar da proposta do BK. Muitos sonharam com o sabor do McWhopper, e entre farpas trocadas, até quem nem leu direito o que foi dito comentou sobre o assunto. A opinião pública ficou bem dividida. Afinal, alguém saiu por cima nessa história?

Vamos aos fatos:

Hipótese 1: Burger King bonzinho

Com um anúncio de página inteira publicado na edição do The New York Times e seu conteúdo amplamente divulgado nos perfis oficiais da franquia, o Burger King propôs ao seu maior concorrente a criação do McWhopper, uma combinação do Big Mac e do Whopper, os sanduíches assinatura das duas redes. O objetivo era dar visibilidade ao Dia Internacional da Paz, data criada pela ONU em 1981.

Além do texto que todo mundo viu, a marca também desenvolveu um site de design impecável, com todas as informações a respeito da proposta, explicando como funcionaria o projeto e o porquê, além de um vídeo com justificativa, conceitos da caixa do McWhopper e dos uniformes da lanchonete que serviria o sanduíche. A ideia era operar um restaurante em Atlanta por um dia, com funcionários das duas empresas, para vender o McWhopper. Todo dinheiro arrecadado seria revertido para a Peace One Day, organização que trabalha na conscientização do Dia Internacional da Paz, comemorado dia 21 de setembro.

Mas a resposta do McDonald’s veio logo, curta e bem direta, deixando transparecer o incômodo com o auê causado pelo Burger King.

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E todo mundo que sonhava com o McWhooper ficou decepcionado.

De acordo com Fernando Machado, vice-presidente Global do Burger King, a proposta foi feita publicamente justamente para causar: “Estamos sendo totalmente transparentes na nossa abordagem, pois queremos que eles levem isso a sério. Seria maravilhoso se o McDonald’s concordasse em seguir com a proposta. Vamos fazer história e gerar conversas em torno do Dia da Paz. Caso eles digam ‘não’, nós esperamos ao menos colaborar para aumentar o apoio e conhecimento necessários para a nobre causa que é o Peace One Day. E sabemos que isso valerá o esforço”.

Hipótese 2: McDonald’s correto, Burger King oportunista

Apesar do desapontamento de alguns, houve quem defendeu que o McDonald’s agiu corretamente e de forma sóbria e coerente, de acordo com seu histórico e branding.
A marca nunca foi de se misturar, sempre valorizou uma identidade sólida e ingressou em parcerias somente com marcas não concorrentes, que pudessem ajudá-la na adaptação nos diversos países em que atua.
Além disso, o McDonald’s tem um histórico de ações beneficentes e atuação nas comunidades em que se insere, carregando isso em seus valores.

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A resposta do McDonald’s apesar de dura e talvez um pouco mal executada, refletiu coerência e seriedade. Principalmente ao lembrar ao Burger King o quanto guerras reais são sérias e trazem muita dor e sofrimento aos refugiados e pessoas envolvidas, sendo então leviano compará-las a uma mera concorrência de mercado.
O McDonald’s ainda deu uma alfinetada na rival ao dizer “da próxima vez um telefonema teria bastado”, insinuando um oportunismo e tentativa desesperada de chamar atenção.
E o que teria ganhado o McDonald’s aceitando uma ideia e conceito unicamente pensados pela sua concorrente? Nunca saberemos. Mas ao propor publicamente a ação, o Burger King encurralou o McDonald’s em uma situação bem delicada, atitude que pode ser considerada no mínimo deselegante

E afinal, quem foi que ganhou nessa?
Se teve alguém que sem dúvida acabou se dando bem foi o Giraffas.

GIRAFFAS

Ao se “intrometer” na briga, o Giraffas e outras duas redes de Fast Food foram acolhidas pelo Burger King, projetando assim os seus nomes internacionalmente, já que os olhos do mundo estavam acompanhando a troca pública de mensagens como em uma partida de tênis, aguardando qual seria a próxima jogada nessa história.
E surfar na onda provocada pelo Burger King deu certo: o Giraffas teve um aumento de 7 mil fãs na sua página do Facebook depois da ação, mais de 3 mil compartilhamentos de seu post “Nós Aceitamos”, acompanhados geralmente de palavras positivas e de aprovação à atitude e sagacidade da marca. E segundo a Ipsos Connect, a ação do Giraffas ainda lhe rendeu um crescimento de buzz em 1000%.

 

No fim, a questão vai muito além de um maniqueísmo reducionista, e nessa história tiramos um bom aprendizado de marketing, especialmente na atitude do Giraffas que pensou rápido e agiu de forma inteligente aproveitando a oportunidade de forma bastante simpática. E, claro, não dá pra esquecer – ganhamos também muitas matérias misturando lanches famosos e criando fusões deliciosas de entupir alegremente as artérias de qualquer um.

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

BK x McDonald’s e o McWhopper de climão

Alexandre Estanislau

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Categoria: Mercado
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