Haja  : a revolução silenciosa
 foi a “palavra” mais usada pelo mundo em 2014. Você não “leu” errado, foi  mesmo. Essa é a primeira vez que um símbolo ocupa a primeira colocação no estudo anual da Global Languagem Monitor.

Os emojis têm cada vez mais espaço como linguagem universal. É literalmente uma revolução silenciosa na comunicação em todo o mundo: são cerca de 1200 emojis oficiais (em 2015 o número chega a 1244!). Eles se popularizaram com o uso cada vez maior de dispositivos móveis, que facilitaram a postagem de conteúdo nas redes sociais, e com as ligações telefônicas que perdem força e dão lugar às conversas pessoais via Whatsapp e Facebook.

Os emojis nos permitem brincar um pouco mais com a língua, deixam a comunicação por texto mais fácil de entender, mais próxima, além de suavizar o impacto da ausência de certos recursos da conversa – como a entonação e a expressão facial do interlocutor. Bem como já faziam os emoticons, puramente tipográficos, só que de forma mais figurativa e complexa.

O Emoji nasceu no Japão. A palavra é formada por “e” (imagem) e “moji” (personagem). O criador foi Shigetaka Kurita, da maior empresa de telefonia celular do país na época, a NTT DoComo. Kurita e uma pequena equipe de designers criaram 176 carinhas a partir de uma série de esboços inspirados em expressões recorrentes em mangás. Os adolescentes japoneses vibraram com a novidade! Aí vieram os celulares com acesso à internet e logo os emojis viraram febre.

Apesar dos emojis só terem surgido nos anos 90, o costume de se comunicar por imagens é bem mais antigo. Usar desenhos figurativos com uma função de comunicação – pictografia, como chamam os estudiosos de semiótica – vem acompanhando a linguagem humana desde os primórdios. Os primeiros pictogramas foram gravados em tabuletas de argila, em seqüências verticais de escrita, e com um estilete feito de cana.

Lost in Translation

Pictograma ou emoji, o que garante o sucesso é o quanto as mensagens são universais. Não há dúvida do que significa 😀 e  ou :’( . Em um ambiente com interlocutores de várias culturas, contextos e idiomas diferentes (por exemplo, a internet), um emoji no seu tweet/post/comentário, aumenta a probabilidade da sua mensagem ser entendida por todo mundo.

Mas como nem tudo é perfeito, alguns símbolos parecem não fazer o menor sentido, ou são interpretados de forma diferente de acordo com cada cultura. A confusão vem de berço: como os emojis nasceram no Japão, muitos símbolos tem a ver com o universo semântico de lá. O  por exemplo, a gente usa aqui como reprovação, mas no Japão significa boa sorte! É até por isso que ele está sorrindo. E  não significa alguém rezando – mas sim um pedido de desculpas.

Para entender melhor a linguagem emoji, agora tem até uma enciclopédia para ajudar nisso. E falando em enciclopédia, a Wikipedia já reconhece emojis em suas urls! https://en.wikipedia.org/wiki/♥

Easter eggs 

Os emojis têm algumas surpresinhas de que pouca gente sabe. Algumas são espirituosas, como ver o texto da campanha “Think Different” da Apple estampando as páginas do emoji do livro:

“Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is…”

Outras são mero capricho e curiosidade mesmo, como a data do emoji de calendário – é a mesma em que anunciaram o recurso iCal do Mac.

Ganhando o mundo

Nas interações com o público, cada vez mais as marcas se soltam e usam recursos como emojis e stickers do Facebook, deixando a interação com uma cara mais simpática e próxima. Mas não para por aí: já existe livro reescrito em emoji e ações de comunicação inteiramente baseadas neles, como uma recente campanha publicitária do banco Itaú:

 

E o release de lançamento do novo sedã Cruze que a Chevrolet mandou para a imprensa:

Falando nisso, neste ano o Titanium Grand Prix de Cannes foi para a campanha #easyorder da Crispin Porter + Bogusky para a Domino’s Pizza. Com um cadastro prévio, é só twittar  para o @dominos e pronto, pedido feito. Foram mais de 500 pedidos no primeiro dia da campanha!

E aí, alguma dúvida de que vale a pena hablar emoji? 

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Hablas emoji?

Alexandre Estanislau

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Categoria: Conteúdo
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