Artigo sobre o processo envolvendo a construção de um site

Tudo planejado.
O que vem depois?

Este é o segundo artigo de uma série de 3 que dá uma geral sobre a construção de um projeto de comunicação digital. No primeiro, eu tratei sobre a parte do planejamento, que envolve uma série de etapas de pesquisas, entrevistas, prototipação e testes. Esta etapa é o que chamo de ANTES, e agora vamos tratar do DURANTE.

Muito bem, passamos pelo momento de planejamento. Agora já sabemos o conteúdo, quem é o público e como ele fará uso das soluções propostas. Testamos o protótipo para nos certificarmos de que toda a navegação está coerente e a hierarquia está correta. Entramos então na fase seguinte, que é quando vamos transformar o protótipo de baixa fidelidade em um projeto gráfico. Este é o momento em que convertemos o conhecimento adquirido nas fases de pesquisa e planejamento em realidade. Nesta etapa, envolvemos uma grande quantidade de profissionais de áreas distintas, que vão se unir ao longo do processo.

Design

Um trabalho que se divide em vários passos:

Briefing: momento importante para a criação de qualquer peça gráfica, quando buscamos conhecer mais a fundo as expectativas do cliente em relação ao projeto gráfico. Não existe realmente uma só forma de construir um briefing; a única regra é que você não deve deixar dúvidas não resolvidas. Procure conhecer o seu cliente e, o mais importante, conhecer o negócio dele. Afinal, sob pena aqui de usar um clichê, ninguém conhece melhor o negócio do que o próprio dono (mas nem isso é uma regra, já vi muito dono que não fazia nem ideia do que era o próprio negócio, mas isso é assunto para outro e.Bolt…).

Conceituação: o conceito do projeto é o ponto fundamental para o sucesso dele. Gaste o tempo que for necessário para encontrá-lo, pois ele é quem vai indicar os caminhos a seguir nos próximos passos. Esse conceito tem que ser único, expressar a empresa e ainda comunicar com o público. Duvide sempre da primeira ideia e nunca descarte ou mesmo julgue demais coisas que inicialmente pareçam absurdas. Escreva as ideias e compartilhe com sua equipe. Eu particularmente uso uma coisa que me ajuda muito: além de compartilhar, eu costumo esperar virar um dia. Se depois de dormir e acordar se eu ainda achar que a ideia é boa, invisto nela. É mais ou menos como cheirar café antes de escolher qual levar.

Pesquisa de referências: por mais que tenhamos pesquisado o público na fase inicial, aqui o designer deve entender mais a fundo quem são as pessoas envolvidas e traduzir as expectativas delas. Uma pesquisa bem elaborada nas possíveis referências de cada uma das personas ajuda a encontrar os elementos e o refinamento do que aquele público espera encontrar. E então, cruzar esses dados com a identidade da empresa, criando algo que comunique de maneira mais fácil e que esteja ligado fortemente com o conceito criado. Eu particularmente não gosto de me limitar apenas a referências gráficas, pois o design vai mais além. Hoje estamos lidando com um mundo muito mais multimídia, então pensar em todos os sentidos é fundamental. Qual o estilo de música? Quais os cheiros, o tipo de comida preferida, o tato, o canal de TV, a revista e até a roupa preferida do seu público? Tudo isso é fonte relevante de referência para que possamos criar uma experiência única e especial.

Design propriamente dito: agora temos o conceito e a pesquisa de referências e partimos para dar vida ao planejado. Como estamos falando de um projeto de comunicação visual, especificamente um website, chegou a hora de converter as informações e referências em um desenho que represente tudo aquilo. Ao passar por todas as etapas, o designer já visualiza o projeto mentalmente e cabe a ele transferir aquela imagem mental para a realidade – no nosso caso, para a tela de um computador. Trocando em miúdos, ele vai dar vida ao wireframe de baixa fidelidade que foi feito anteriormente.

Não costumo usar o termo webdesigner, pois no meu entendimento esse profissional não existe. Entendo que o termo é usado de maneira errada, já que o profissional envolvido neste trabalho é um designer que trabalha com projetos interativos em diferentes suportes – e web é somente um suporte dentre tantos outros da comunicação digital. Então, limitar em webdesigner é diminuir o trabalho do profissional.

Front-end

Antigamente esta parte era destinada aos programadores HTML; no entanto, a função mudou bastante e sua importância cresceu muito dentro das equipes. Esse profissional deve, ou deveria, trabalhar em parceria com o designer, pois ele é quem vai codificar aquilo que foi desenhado. Ou seja, para que o seu site seja visto através de um navegador ele precisa passar pela codificação, o que justifica e muito uma grande preocupação com esta etapa, pois ela pode “matar” um bom projeto de design.

E a função do front-end não para por aí. Ela é fundamental para a próxima etapa, atuando como uma ponte entre o que foi criado no design e as funcionalidades implementadas pela equipe de sistemas, que serão incluídas na etapa que chamamos de back-end.

Back-end

Aqui o site ganha vida: é o momento em que ele passa a ter conexão com o banco de dados, com suas regras de negócio e passa a trabalhar com as informações dinâmicas. Exemplificando de maneira bem simples, é essa etapa que vai fazer com que a informação de um formulário preenchido online chegue até a pessoa correta.

Assim como na fase de front-end, é importante que este profissional tenha conhecimento das etapas anteriores (design e codificação), pois ele também tem grande influência na qualidade final do projeto.

Testes

É comum ouvir o cliente reclamar dessa etapa, mas ela é de extrema importância, pois é o último momento que temos para corrigir algo que não tenhamos notado durante todo o processo. Na fase de testes, todos os profissionais envolvidos com o projeto devem participar, observando os detalhes de vários ângulos diferentes. O que foi planejado no wireframe se mantém no produto final? O que o designer projetou se manteve? O cliente está satisfeito? O cliente do cliente está satisfeito?

Depois do website testado, com certeza teremos alguns ajustes a serem feitos. Portanto, é essencial prever um tempo para essas modificações. Feito isso, passamos por mais alguns testes finais e o produto está pronto para ser lançado.

É importante pontuar que, a não ser a fase de testes, todas as demais não precisam acontecer uma após a outra, o que acarretaria um tempo muito longo de projeto. Com tudo muito bem planejado, pode-se iniciar praticamente todas as etapas simultaneamente. Mas atenção: fazer isso funcionar de maneira correta, a fim de evitar retrabalho e momentos ociosos da equipe é um trabalho árduo, que deve ser feito por um gerente de projetos com experiência e contando com uma equipe muito bem alinhada.

Para finalizar mais esse artigo, nunca é demais lembrar: mudanças vão ocorrer durante o processo. O produto final nunca é exatamente igual ao que foi projetado inicialmente, e temos que ter a flexibilidade de entender isso. Assim, ao longo do projeto é importante que todos os envolvidos estejam próximos para que estes desvios de rota sejam discutidos e resolvidos com a menor perda possível – mas dizer que não vai haver perda é impossível. De qualquer forma, perde-se por um lado e ganha-se por outros. O que vale aqui é um balanço geral, precisamos sempre de um somatório de qualidade, nunca o contrário.

Até o próximo artigo, que vai falar do “depois”: o lançamento, que envolve desde a publicação até a campanha.

Recomendo que você leia a primeira parte deste artigo. Ela trata do planejamento, momento mais importante de todo o processo.

Alexandre Estanislau é designer, CEO da Bolt Brasil.
*Uma versão anterior deste artigo foi publicada no Minas Marca.

Link para o case do Circuito do Rock

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Construindo seu site: o próximo passo [2 de 3]

Alexandre Estanislau

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Categoria: Mercado
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