Artigo sobre como comprar um site

Você sabe o que é um site?

A resposta pode ser a chave para melhorar a maneira como as empresas compram comunicação digital

A pergunta é simples; no entanto, a resposta pode ser muito complexa e extensa. A internet comercial no Brasil tem quase 20 anos, e mesmo com todo esse tempo muitas pessoas ainda não sabem como responder a essa questão. E entender o que está envolvido em um site pode ser o caminho para melhorar a forma como a maioria das empresas compra comunicação digital.

Muitas vezes, ao procurar uma agência digital, a pessoa interessada geralmente tem em mente um objetivo: “quero fazer um site”, ou “quero reformular o meu site”. E quando bem documentada essa demanda vem acompanhada de uma estrutura básica, um fluxograma que define as páginas e suas hierarquias. Todo o planejamento do projeto é aquele fluxograma, e o necessário aqui é contratar um webdesigner que vai produzir a coisa.

Note-se que a palavra site virou um produto fechado. Quase que se pode chegar na “loja” e comprar meia dúzia de websites e levar pra casa. Mas o site não deveria nunca ser considerado dessa maneira, e é sobre isso que quero tratar aqui.

O que está envolvido em fazer um site?

Lá em 1996, 97, quando a internet era domínio da informática, o site não era construído para ser um canal de comunicação – era mais um sistema dentre todos os outros existentes.

Com o passar dos anos, a tecnologia foi ficando transparente e ele migrou do setor de informática para o marketing, e hoje um site é (ou deveria ser), uma ferramenta de comunicação. E isso faz toda a diferença. A tecnologia passa a ser ferramenta, e o foco é na comunicação. Então, um simples fluxograma com hierarquias não é mais suficiente para construção de um site. O correto é dizer que o website é uma pequena parte de um trabalho muito maior que tem um antes, um durante e um depois. Neste artigo, trato apenas do antes (que já é muito…).

O “ANTES” de fazer um site

Análises de métricas do site antigo (caso exista)
Estes dados são riquíssimos, pois através deles podemos saber sobre padrão de navegação dos usuários, tempo de permanência, taxa de desistência, resolução de tela e muito mais. Por exemplo: se ao analisar as métricas do site, você nota que o terceiro navegador mais usado para navegar no seu site é o Android, está na hora de ter uma aplicação específica para mobile.

Pesquisa com público / clientes e definição de personas
Regra básica em qualquer projeto de comunicação. Conhecer o público, seus gostos, costumes, cultura e etc.. Tudo isso é de extrema importância para o start do processo de planejamento. E se estamos falando de comunicação, precisamos definir as personas envolvidas no processo. Então, entender cada uma das personas que farão uso daquela solução é fundamental para iniciar o planejamento. Exemplo: mulher, 35 anos, advogada, pós-graduada, está empregada, mora sozinha, solteira, independente, gosta de se vestir bem e costuma ir a baladas… e por aí vai.

Definição de cenários de uso
Depois de definidos todos os possíveis públicos envolvidos, é preciso entender todas as situações de uso daquela solução. O que significa isso? Entender como aquelas personas listadas poderiam usar a solução proposta. É neste momento que se define o que será de fato produzido. Até aqui não há como saber se o que você precisa mesmo é de um site ou simplesmente de uma fanpage no Facebook. Depois de definido o que será necessário, partimos para as fases seguintes. Por exemplo: a maior parte das personas tem smartphone com internet e fazem uso dele. Isso deixa claro que o projeto precisa ser acessível por dispositivos móveis. Ou: a maioria das personas loga todos os dias no Facebook, então pode ser importante ter uma página lá também.

Mapeamento de conteúdo
Baseado no conhecimento adquirido e na expectativa de cada uma das personas, esta fase trata de mapear o conteúdo que será disponibilizado em cada uma das soluções propostas. Esta etapa vai estruturar a próxima fase do projeto.

Cardsorting
É uma metodologia de pesquisa presencial com algumas pessoas que estão dentro do perfil de público definido na pesquisa e através das personas. Uma vez mapeado o conteúdo, chega a hora de perguntar para este público como ele organiza aquela informação e se ele sente falta de algo que tenhamos esquecido ou mesmo ignorado, mas que seja relevante. Nesta etapa, o próprio usuário é quem vai dizer como o conteúdo será organizado e o que ele acha relevante e pertinente. O que é bem lógico, porque ele é quem vai usar.

Wireframe
Uma vez distribuído o conteúdo, chega a hora de fazer o primeiro desenho. Na maioria das vezes este desenho é um grande esquema, sem se preocupar com o visual. Aqui o mais importante é a interação da pessoa com a interface. Esta etapa é crítica e muito importante para todo o projeto: aqui ele deixa de ser informação e passa a ganhar uma vida mais próxima do que vai ser na realidade. Neste momento é importante prototipar todas as conexões e todos os canais, como website, fanpage, aplicativo mobile, etc.

Testes de usabilidade
Depois dos wireframes prontos, chegou a hora de iniciar os testes em protótipos. Aqui testaremos na prática se o que foi produzido de fato é o que o público espera. Se as informações estão nos locais corretos e se estão dentro do que a maioria das pessoas espera. É aqui que encontramos os erros de navegação, acertamos a hierarquia das páginas e construímos uma experiência interessante para quem visita. É através dos testes que eliminamos os erros e diminuímos a quase zero o retrabalho, ganhando em tempo de produção.

Somente depois de ter passado por todos estes passos é que saberemos exatamente do que o projeto vai precisar. E somente aqui é que ele vai realmente entrar em produção. E mais: talvez nesse ponto a gente chegue à conclusão de que a sua necessidade não era um site, era algo muito mais simples, ou mesmo mais complexo do que somente aquele site que tínhamos inicialmente. Mas o melhor, tudo estará fundamentado e baseado em dados concretos, nada de adivinhação ou achismo.

Para finalizar: sabemos que a internet ocupa lugar de destaque como um dos principais canais de comunicação de todas as empresas no mundo. E por isso ela deve, ou ao menos deveria, ser tratada com o maior profissionalismo possível. Então, procure saber o que está envolvido no processo de produção da sua comunicação digital, procure entender o seu público, envolva sua agência. Integração é a palavra. Não discuta com a agência somente sobre tecnologia, fale mais de estratégia, de marketing, de comunicação. Estruture algo que seja durável: é melhor gastar mais em um projeto bem feito do que desperdiçar dinheiro e tempo em 3 ou 4 errados. Não compre comunicação como quem compra batatas.

Não deixe de ler a continuação deste artigo.

Alexandre Estanislau é designer, CEO da Bolt Brasil.
*Uma versão anterior deste artigo foi publicada no Minas Marca.

Link para o case do Circuito do Rock

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Pensando em fazer um site? Comece direito [1 de 3]

Alexandre Estanislau

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Categoria: Mercado
0
2372 visualizações

Faça um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *