No meio da correria que geralmente é a vida de quem trabalha com comunicação (aliás, com quase tudo) desviar o foco parece não ser uma boa ideia – mas é.

Ter uma atividade alternativa, um hobby, fora do universo de trabalho, pode fazer de você um sujeito mais feliz, mais saudável e, por isso mesmo, mais produtivo. Ajuda a dar uma aliviada no stress, cria novas conexões pessoais e mentais, ajuda a sair um pouco da mesmice. Não que trabalhar seja chato e você precise de uma fuga (se for assim, o problema é outro), mas um hobby abre a cabeça. E não faltam análises que sugerem que essa abertura ajuda a lidar muito melhor com os desafios da vida profissional.

Dedicar tempo e energia para alguma coisa criativa além do trabalho não é perda de tempo. Pelo contrário – usar esse tempo e essa energia para apenas uma coisa pode ter um impacto muito negativo na capacidade de resolver, criar e inovar.

Ter uma vida fora do ambiente de trabalho não parece ser um conselho extraordinário, mas falamos aqui de realizar coisas edificantes, criativas e interessantes. Também é fácil afundar na rotina fora da agência ou do escritório, e isso não significa que você está fazendo algo enriquecedor por você mesmo. Então antes de se jogar no sofá ou numa atividade sem propósito, pense. Nem todo hobby vai dar aquele gás no seu potencial criativo, ou mesmo aliviar a tensão, e já que tempo é sempre um fator crítico, vale a pena escolher bem. Usar o tempo que sobra com sabedoria é essencial.

Existem estudos que sugerem relações muito interessantes entre a maneira como cientistas que tiveram uma influência enorme no mundo contemporâneo usavam seu tempo livre e o desempenho profissional deles. Ok, não dá para estabelecer uma regra exata, mas a análise diz muito. Um fato: nem todo hobby vai ter um impacto significativo na sua capacidade criativa. Não que os outros não sejam legais, mas investir o tempo em algo que é divertido e que vale a pena é com certeza uma escolha inteligente.

Atividades que envolvem o pensamento visual,  a percepção de forma e movimento e o reconhecimento de padrões visuais e sonoros têm uma relação mais próxima com a capacidade de ter ideias, de perceber aquilo que não é óbvio, enfim, com o tal pensar fora da caixa. Pintar, esculpir, tocar um instrumento são as manifestações mais óbvias disso, principalmente porque têm muito a ver com a questão da sensibilidade. Mas isso não é tudo. O impacto na criatividade também se relaciona com usar a cabeça para “resolver diferentes tipos de problemas”, e aí o leque de atividades bacanas se amplia muito.

Calma aí, quer dizer que você tem que arrumar mais problemas? Bom, “problemas” aqui talvez não seja a palavra ideal. Tenha em mente o seguinte – atividades que exigem o pensar analítico, a ordenação de elementos, fazer escolhas e tomar decisões não necessariamente se referem a problemas no sentido negativo da coisa. Organizar uma pescaria, tricotar um cobertor, construir uma miniatura em escala, fazer uma coleção de qualquer coisa, tudo isso gera uma série de situações que precisam ser, passo a passo, resolvidas. É divertido, não? E você está lá, resolvendo problemas e exercitando um monte de competências. O “grande segredo” aí é a absorção essa experiência do hobby da mesma forma que que as crianças aproveitam “sem querer” as suas experiências lúdicas. É um treino, uma prática bacana de habilidade que direta ou indiretamente ajuda na hora em que nós somos postos à prova com desafios mais, digamos, reais.

Lembra dos cientistas? Uma revelação do estudo diz respeito à maneira como eles mesmos viam seus hobbies. Não como um aprendizado direto (até porque dificilmente as situações a resolver se repetiriam na vida profissional); mas como uma fonte de insights para lidar com os problemas (esses sim de verdade) e para provocar a sensibilidade e a percepção, além de uma oportunidade de “resolver mais de uma coisa ao mesmo tempo”. É o tal desvio de foco, super benéfico na medida em que “pular” de um problema para outro renova as energias e estimula a limpar a mente deixando-a tinindo para fazer novas conexões e associações de ideias – esse sim um mecanismo fundamental da criatividade. Você já deve ter tido essa sensação, e providenciar para que ela aconteça com mais frequência é totalmente possível.

Pra terminar, algumas observações de psicólogos organizacionais sobre o pessoal que se envolve em atividades criativas fora do ambiente de trabalho:

  • aprender uma habilidade nova traz um sentimento de realização e controle que pode ajudar numa performance melhor no trabalho
  • resolver “problemas” de forma criativa acontece o tempo todo em muitas formas de hobby; por menos que isso se relacione diretamente com as suas exigências do trabalho, a criatividade é uma coisa que se pratica e se melhora – e por isso mesmo todo exercício dela é bem vindo
  • planejamento é um gosto adquirido; de reunir o material necesseario a programar o tempo para as coisas acontecerem, um hobby exige competências aplicadas em planejamento que, da mesma forma que a criatividade, podem ser aprimoradas
  • hobbies são relaxantes, fisica e mentalmente. Alguns deles são quase uma meditação (experimente tecer um tapete)
  • hobbies muitas vezes permitem a auto-descoberta e a expressão pessoal. Pouca coisa no mundo vai aguçar tanto a sua sensibilidade
  • ir pra casa depois de um dia intenso de trabalho e não focar a cabeca em coisa nenhuma significa provavelmente que sua alma ainda está lá no trabalho. A fadiga que isso pode causar é imensa
  • hobbies fazem dormir melhor – isso tem a ver com combater a tal fadiga mental, com o relaxamento e a distração

Sempre tem algo bacana para fazer com o seu tempo. E pode ampliar o olhar pras possibilidades: de videogames a jardinagem, de cozinha a carpintaria, de fazer iscas de pesca a consertar coisas, tudo pode envolver graus e formas diferentes de habilidades que você desenvolve enquanto “se diverte”. E, longe de forçar a barra procurando skills em tudo, isso é muito bom 🙂

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Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

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Alexandre Estanislau

Sócio fundador e CEO da Bolt Brasil, atuando como Diretor de Criação, graduado em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais, pós-graduado em Gestão Estratégica em Marketing pela PUC-MG. Premiado em inúmeros festivais brasileiros (Bienal de Design Gráfico – ADG, Clube de Criação de São Paulo, Clube de Criação de Minas Gerais, Prêmio About de Comunicação Integrada, Prêmio MMOnline – MSN) e internacionais (Festival Internacional de Cannes, Festival Internacional de Londres, One Show Interactive – Nova York). Criou e coordenou o Quinta Digital por 3 anos, que já passou pelas cidades de Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e João Pessoa-PB. Foi professor de Direção de Arte no curso de Comunicação Digital e Hipermídia da UNI-BH por 2 anos e palestrante em diversos eventos. Atualmente é professor da disciplina Mobilidade e Produção de Sentido no MBA em Comunicação e Marketing do IEC – Puc Minas, professor da disciplina Dinâmica das Agências Digitais na Pós-graduação UNA, Presidente da ABRADi-MG (Associação Brasileira de Agentes Digitais – Minas Gerais) e Diretor da ABRADI Nacional (Associação Brasileira de Agentes Digitais).

Categoria: Criatividade
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